Algodão Colorido Toggle

O ALGODÃO COLORIDO NO BRASIL

Origem
O algodão colorido já era utilizado pelos incas há 4.500 A.C., bem como por outros povos antigos das Américas, África e Austrália. A maioria das espécies primitivas de algodão possui fibras coloridas, principalmente na tonalidade marrom. No Brasil, foram coletadas plantas de algodoeiros asselvajados, nas tonalidades creme e marrom, em misturas com algodoeiros brancos cultivados, das espécies G. barbadense L. e G. hirsutum L. raça marie galante Hutch, conhecidos como algodões arbóreos. Estes algodões coloridos, sempre foram considerados como misturas indesejáveis pelos industriais, tendo uso apenas artesanal ou ornamental, principalmente nos Estados da Bahia e Minas Gerais. Estes algodoeiros foram preservados em bancos de germoplasma da Embrapa Algodão, em Patos-PB, desde 1984.

O processo de melhoramento
Inicialmente foi efetuada uma avaliação da produtividade e das características de fibras dos 11 acessos de algodão arbóreos coloridos existentes no Banco de Germoplasma. Constatou-se que o comprimento de fibras dos acessos coloridos variou de 25,9 a 31,6mm, a resistência era muito fraca, com 60% dos materiais variando de 19,5 a 21,7 gf/tex, o que impossibilitaria sua industrialização em fiações modernas, que exigem algodões de alta resistência. As fibras eram também excessivamente finas e de baixa uniformidade. A produtividade, à nível de campo variou de 294 a 1.246 kg/ha.

Foi colocado como objetivo do programa de melhoramento elevar a resistência das fibras, finura, comprimento e uniformidade bem como estabilizar a coloração das fibras nas tonalidades creme e marrom e elevar a produtividade a nível de campo. Utilizou-se inicialmente o método de seleção individual com teste de progênies, e posteriormente o método de hibridação seguido de seleção genealógica, para obtenção de variações nas tonalidades de cores. A partir de 1996 foram incluídas nas pesquisas algodões de coloração verde e procuradas novas combinações de cores, através de cruzamentos dos algodões marrom, creme e verde.

RESULTADOS OBTIDOS COM A PESQUISA DE ALGODÃO COLORIDO

Avaliação agrícola
Com o processo de melhoramento contínuo as linhagens avaliadas em 1997 apresentaram produtividade em torno de 1.500 kg/ha, resistência de fibras na faixa de 23 a 25 gf/tex, finura fina (I.M.) de 3,4 , comprimento de fibra (S.L. 2,5%) de 29,5mm e uniformidade de 48,0%. A produtividade média, a nível de campo, supera as cultivares de algodoeiro mocó precoce em mais de 50%. Por outro lado, com estas características de fibras, os algodões coloridos melhorados, podem ser processados por indústrias têxteis modernas. Nas avaliações de fios de algodão colorido de títulos 16Ne e 20Ne, obteve-se resistência do fio de 13,5 e 12,3 gf/tex, respectivamente; alongamento de 6,9; e 56 pontos finos/km e 112 pontos grossos/km; índices que confirmam a boa qualidade do fio.

Avaliação industrial
Com as fibras coloridas obtidas em 1997 foram produzidos fios de título 20Ne e confeccionado tecido de malha e 50 camisetas para avaliação da qualidade do tecido produzido a partir do algodão colorido nordestino. A malha e os testes industriais foram processadas no CERTTEX/SENAI em Paulista-PE. Foram efetuados ensaios de solidez de cor; estabilidade dimensional da malha (encolhimento) e resistência do tecido ao Pilling. Os resultados obtidos comprovaram que a malha colorida apresentou boa solidez de cor nos níveis de cloro de 0,01% e 0,1% com grau 4, boa solidez de cor a fricção com graus 4 a 5; boa solidez de cor ao suor (grau 4-5), boa solidez da cor a lavagem grau 3-4 e alta resistência do tecido ao Pilling (grau 5).